quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

VOCÊ É UMA FRAUDE

COGITO, ERGO SUM
Autor: JBNETO

É óbvio que estou com Descartes. Eu sempre duvido. Em não existindo a dúvida, jamais virá a certeza.

"Sum", do latim, sou, existo. "Dubito" (com acento tônico no u), duvido. "Ergo", então, portanto. Todo o conhecimento nasceu da dúvida. E toda a dúvida se origina na existência. Sem o "ser' não haverá a dúvida, porque o sujeito não haverá, não será, não existirá.

Mas se a dúvida estiver na aceitação da própria existência, não havendo esta última, não haverá o sujeito nem suas dúvidas. Assim, duvidando, Descartes teve a certeza de que existia, não era mera ficção ou simples abstração. Duvidando da própria existência, esta mesma dúvida levou-o a não duvidar da essência, da sua realidade dentro do universo. Se posso duvidar, então existo.

Cogito, ergo sum. Penso, logo existo. Prefiro: ajo, logo existo. Se faço, produzo, sou alguém. Não importa, no caso, meu partido político, minha cor da pele, minha raça, religião, se do bem ou do mal. Produzindo ou destruindo, fazendo ou desfazendo, terei aí comprovada minha existência. Se não existo, não faço.

O fazer deve comprovar a existência. Mas a essência do que existe pressupõe o fazer, com exclusão do desfazer, destruir? A moral, coisa costurada pelo homem e preservada a duras penas, poderia assim atestar. Mas o fito nosso é contestar a própria existência, a minha, a sua, a de todos nós.

Em que ponto do infinito, nós, finitos, mortais, efêmeros, existimos? Como posso eu pensar sobre minha existência, como se um filme focado em uma tela pudesse assistir e interpretar a si próprio? De que forma o ser, crescido desde o nascer em uma redoma inviolável de maldade, pode se autocriticar, tirar conclusões sobre sua vida, sua existência, seu final? Salvo um observador externo ao nosso universo material e espiritual, de posse dos conhecimentos necessários e suficientes, poderia emitir parecer, com relativamente segurança, sobre nossa existência. Ele então nos passaria atestado, que nos serviria como certidão de nascimento, e então, de existência.

Cogito, ergo sum! Dubito, ergo cogito, ergo sum!

Ou seria: Cogito, ergo dubito, ergo sum? Penso, logo tenho direito a dúvidas, portanto existo?

Mero jogo de palavras? Descartes, Sócrates, Platão e outros não pensavam assim. Reflita, amigo. Pense bem. Você pode ser vítima de uma fraude. Você acha que pensa, e conclui que existe. Chega a sentir dores, cólicas, fome, fuma, anda de avião...Claro, eu existo. Se belisca, morde os dedos. Dói muito. Arranca os cabelos. Perde o emprego. Faz sexo. Claro, eu existo. Mas, depois de passar por todos os testes, uma nota de 100 dólares, dada como verdadeira, descobriu-se falsa. O embuste não é o universo. É você. Não se deu conta ainda. Você não vai nem ao menos ter o direito de morrer. Pois ainda não nasceu. Simplesmente não existe. Você é um espaço em branco no texto da vida.

Conselho: aproveite o espaço que te deram, e faça, construa, leia, estude. Corra atrás de um meio de provar que você não é um vazio dentro de uma corrente iônica. Seja pelo menos um traço de união, um hífen. Se já escreveram, produziram o texto, dê-lhe força sublinhando-o, dando-lhe novas cores, engrossando-o com o negrito das boas ações. Melhor ainda, amigo, faça, construa, contribua, dê a sua parte. Você será sempre um embuste para você mesmo se continuar nesse marasmo, nesse mecanismo de relógio atrasado, nessa gorda molécula inerte e parasita da sociedade.


Faça!

2 comentários:

  1. Texto muito profundo e motivador!
    Parabéns meu amigo Batista Neto.

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    Respostas
    1. Obrigado, amigo. Que sirva de motivação para outros companheiros participarem de nosso blog.

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